terça-feira, 1 de abril de 2008

Poetas2


São macabros e doces,
Amantes e violadores,
Mendigos inconstantes,
Pedintes e impostores,
Indolentes fulgurantes,
São a chama do fulgor,
A discutível certeza,
Insensatos na proeza,
Tolerantes sem favor.
*
São lobos e cordeiros,
Pastores sem seita,
Doentes sem maleita,
Ingénuos e matreiros,
Brisa e a tempestade,
Juizes prisioneiros,
A mentira e a verdade,
A justiça e o castigo,
Homens sem abrigo,
Vaidosos sem vaidade.
*
Desiguais na semelhança,
Ricos, vão embora pobres,
Ralé, sendo nobres,
Partilhados na esperança,
São um escuro de repente,
Ou um amor trocado,
Também clarão demente,
Um ponto ou universo,
Um frio acalorado,
Em prosa ou no verso.
*
Um riso na tristeza,
Ao chorar da alma,
São ricos na pobreza,
Enervados na calma,
Descrevem as guerras,
Os gigantes Golias,
Cantam o mar e as serras,
Adamastor e as naus,
Silêncio nas melodias,
Sofrem o fado a trinar,
Saboreiam o caos,
Sem morrer, sem matar.
*
JMC In Redenção

quarta-feira, 26 de março de 2008

O beijo do silêncio


Chegas traiçoeiro em teus lábios cerrados,
Beijas de olhos abertos em meu tormento,
Queres encerrar-me em meu abrigo maldito,
Abraças-me, e eu a ti, no frio, desinteressados,
Desterras-me na ausência onde me acorrento.
*
Silencias quem não nos quer ver calados,
Secas-me as lágrimas que quero de alegria,
Feres-me de morte nos receios infundados,
Queres-me sem sorte, ou mesmo sem preço,
Dás-me a vontade de me acabar neste dia.
*
Sabes que me posso perder no teu silêncio,
E que me posso encontrar na tua solidão,
És um beijo que eu sei que não mereço,
Parente de fantasmas que eu não conheço,
Filho de mãe que pariu um filho em vão.
*
Venço-te se a minha face eu não te oferecer,
Se lábios meus se abrirem quando acordar,
Se o desejo que eu trago nunca me perecer,
E se nunca aos teus lábios gélidos eu me chegar,
Se no beijo do teu silêncio eu jamais me perder.
*
Não me deixes perder no silêncio...

quarta-feira, 19 de março de 2008

Pai.


Hoje acordei triste como o dia me deixou,
Tentei disfarçar, aos outros, tentei disfarçar-me,
Acordei triste talvez por saber quem não chorou,
Tentei e desisti, por não conseguir enganar-me.
*
É a ti que eu devo metade daquilo que eu sou,
A outra metade devo-a a alguém que tu amaste,
Hoje vi o sorriso de uma criança que me calou,
Hoje fiquei triste, porque senti que me falaste.
*
E tu nunca foste metade de nada, sempre pai,
Nunca te senti ausente, mesmo quando parti,
Hoje eu acordei triste como este tempo aqui vai,
Hoje pensei o quanto eu sinto falta de pai, de ti.
*
Hoje li alguém dar uma esperança e desconfiar,
Porque os sonhos são apenas uma mera realidade,
A esperança nada é, nada fica se ela não se realizar,
Nada perdura, se algum dia perdermos a saudade.
*
Perdoa-me se eu afinal podia ter estado naquela hora,
Eu agradeço-te por me teres dado a liberdade cedo,
Perdoa-me por não ser filho, por te ter deixado ir embora,
Talvez eu hoje consiga, por ti chorar em segredo.
N 20/05/1918 F 10/02/2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

Lua.


Tua luz é um brilho que vejo emprestado,
Incandescente na tua imensa solidão,
Feiticeira, mesmo passageira e ser adorado,
Em outras, sinal de quem te vê a superstição,
Quando és bem querida, Mesmo por entre nuvens escondida.
*
Altiva, luz de caminhante e marinheiro,
Viajante no tempo e no espaço segredos,
Melodia de trovador, letra de cancioneiro,
Confessam-te amores, coragens e medos,
Lágrima, mistério sofrido, Num reflexo dorido.
*
Chama inerte, pois que esse fogo não é teu,
Chamam-te nova, minguante, cheia, crescente,
Regulas marés, quando te penduras no céu,
Rogam-te preces, como por ti já morreu gente,
Sacrifícios em velhos altares, Sacerdotes sem tu mandares.
*
Eclipse onde te escondes, onde apagas teu ser,
Onde na tua silhueta, por segundos és magia,
Negra e alva de seguida, transparente de se ver,
Anciãos ou magos, egoístas roubam-te a poesia,
Ficas presa por um cordel, Chamam-te lua de papel.
*
Tens uma face, outro lado negro que não é luar,
Obscuro, oculto, incerto para o outro mundo,
Nasces no entretanto de uma luz que vai findar,
Fases em que ficas, fazes que não vês moribundo,
Ficar este mar, esta terra, Esta fome e esta guerra. *
JMC In Redenção

sexta-feira, 14 de março de 2008

Punição


Acordei, no meu sonho que se desvanece,
Dissipando-se volátil no lúgubre nevoeiro,
No trágico cadafalso,
O meu algoz que de nós todos escarnece,
O povo que aqui chega aos magotes, ordeiro.
*
Vou assistir à minha infindável punição,
Vou sorrir ao castigo, antes de me findar,
Perdoar aos juízes,
Que, não sabendo, me oferecem a redenção,
No cinismo de que me podem acusar.
*
Ganho asas na brisa que se afugenta,
Dou o meu sangue a beber aos chacais,
Vampiros sedentos
Infligem-me o punhal que não me atormenta,
Sem a dor, nem o sofrimento dos demais.
*
Ainda espero o efémero resgate da alma,
Ouvindo o uivar dos lobos meus aliados,
Meus amigos irmãos,
Chorando na noite que me chega calma,
Ao murmúrio da lua que nos deixa enfeitiçados.
*
Permanecem na floresta dos meus receios,
Onde na sua matilha eu me fiz punir,
Entregando-me à lei,
Erguendo-me no orgulho dos meus anseios,
Julgando-me para não mais fugir.
*
2006 JMC in Punição

segunda-feira, 10 de março de 2008

Correntes



Não temo estas correntes por me prenderem,
Não são de aço frio ou de ferro temperado,
São torrentes sem fim, de começo inesperado,
São de ouro, de luz, de sempre por nos trazerem,
Presos no desejo acorrentado da liberdade,
São anéis que se perdem no ciclo da vida,
E a viagem sôfrega nos elos da nossa vontade,
Renascendo na mudança que nos foi oferecida.
*
São estas as correntes que nos ligam à infância,
Que nos fazem sorrir hoje pelos nossos passos,
Porto seguro onde os navios prendem a distância,
Onde nossos olhos descansam no acaso destes laços,
Uma lágrima sinto-a soltar-se, sem ter continuação,
Não existe nunca mais despedida, nem um adeus,
Se quebrar esta corrente, outra virá, outras serão,
Correntes que correm, que aqui ficam em traços meus.

domingo, 9 de março de 2008

The Cure

Ontem...um indiscritível espectáculo! Uma das maiores enchentes do Atlântico! Aquilo que a que eu chamo de projecto do Mister Robert Smith...The Cure... 3 magníficas horas, (com 3 encores !?!) onde e com o habitual simplicismo que o caracteriza, foram revisitadas 3 décadas de música intemporal, música sem etiquetas, sem necessidade de catálogos ou de sexo como lhe gosto de chamar, simples, humilde, pura, respeitando quem lá esteve a pagar para os ver (e não só) à beira dos cinquenta aquela voz continua tão límpida como no início...É caso para dizer que só visto mesmo... Abriram simples com Plainsong...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Grades.


Antes escrevia palavras onde era a dor,

Rasgava o ódio e a raiva que queria ter,

Antes eu sentia o infame que não posso ser,

Queria ver o sangue jorrar ao invés do amor,

Antes eu encarcerava o azul do céu,

Numa sala repleta da minha escuridão,

Era a surdez na alegria de uma canção,

Era o definhar da tristeza em corpo meu,

Antes eu morria quando a luz me trepassava,

E do meu poema só o sangue me dizia,

Que o abismo era a saída que eu queria,

A sorte emprestou-me o azar que me calava,

Fiz um castelo cinzento que eu já não quero,

De pedras frias e gastas, vestidas de escuro,

Numa colina de negrume, onde não perduro,

Onde já não subo os degraus de desespero,

Reino noutro sem corte, sem trono desejado,

Onde me amam por aquilo que eu vou ser,

Onde eu todas as noites amo até me perder,

A mulher que me fez humilde de fortuna elevado,

Hoje sou homem novo sem grades, ou prisão,

Olho de fora para dentro, porque é lá que estou,

É lá que me encontrei e pertenço onde eu vou,

Não onde me parecia livre na imensa solidão.

terça-feira, 4 de março de 2008

Uma razão.






Existe um mundo que nem sempre nos parece certo,
E no entanto o algo que fazemos é passar-lhe ao lado,
Eu que nunca soube quem era, sendo um passo incerto,
Quis ouvir a minha razão dizer-me que estava errado.
Já me senti sem um único caminho, pronto para desistir,
Já fui errante vagabundo apenas à procura de um sentido,
Achei que o mundo não era razão alguma para eu sorrir,
Já estive sem saber de mim, no meu corpo desfalecido.
*
Por muito que do céu venham lágrimas, vou estar por aqui,
Tenho alguém de quem eu preciso, e que soube esperar,
Alguém que já chorou comigo, quando eu não o consegui,
Levantando-me do chão empoeirado, apenas por me amar.
Escolhi por entre uma nuvem encoberta, que o Sol fosse razão,
E tu me escolheste por entre as incertezas que já sofremos,
Vamos direito ao impossível se for preciso, de alma na mão,
Vamos viver, sorrir e chorar tudo aquilo que nós queremos

domingo, 24 de fevereiro de 2008

PacMan vs Thriller

Existem certos "famosos" da nossa praça que alguns grandes grupos editoriais na ansiada subida de vendas, contratam para darem a sua contribuição(?! nas imensas publicações "cor de rosa" mais valia fazerem aquilo que realmente sabem, ou pelo menos tentarem! Vem isto a propósito de um artigo de uma revista que acompanha um vespertino conter um artigo sobre o relançamento de um dos melhores discos de sempre na história mundial. Refiro-me a Trhiller de M. Jackson, e os meus amigos metaleiros vão-me desculpar mas o disco é mesmo soberbo! Em tudo, e na altura marcou uma era. Tal como eu este nosso "ilustre" cronista também tem a minha opinião, e concordo quando diz que foi uma muito má escolha convidar alguns cromos como Akon (que vómito) para "abrilhantarem" esta reedição. Até aqui rendo-me a tão intelectual "Doninha" o que acaba por vir a dar-me alguma repulsa, talvez por começar a aperceber-me do "cheiro" é quando ele escreve que até lhe perdoa, ao M.Jackson, que tenha "tocado" nas criancinhas(a provar claro) mas que não lhe perdoa ter convidado tamanhos ignorantes para o relançamento desta fenomenal disco. Pacman confessa, foi uma fase infeliz da tua existência, também dos redactores que deviam estar a dormir na forma, pois quando se deixa num serviço público algo como o perdão, a ser verdade, de alguém ter cometido um crime como o de pedofilia...Hum será que o Pacman gostaria de ter sido um dos convidados de M. Jackson?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Cuba Livre? Um Regime ou apenas um cocktail?

Sonhei ou não? O Fidel de Castro renunciou em favor do irmão Raul?!? Mas este regime não é supostamente de ideias contrárias às Monarquias?!? Onde está a democracia apoiada no sufrágio universal? o furo de uma nação resolve-se em família. Numa família de ex-reformadores ou que já se deviam ter reformado? E depois de Raúl? Será que vão escolher outro membro familiar?Bom de direita ou de esquerda parece que mais um ditador acaba o seu reinado, se bem que a ideia inicial até era boa...a de acabar com o fascismo em Cuba...com o ditador e "amigo" da América Fulgêncio Baptista...era digo eu e mais um punhado de Cubanos concerteza. Che Guevara terá sido mais um dos imensos enganados? Um dos muitos que o obscuro regime "teve" de calar? Bom de uma coisa nos vamos concerteza livrar...dos infindáveis e sonolentos discursos do homem..dasss

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Renascer


Houve um tempo em que esperei,

Por mim, por um horizonte,

Por raros momentos...por alguém,

Agora que corro atrás de mim,

Espero por aquilo que nunca serei.


*


Das cinzas de um tempo acabado,

Resgato um futuro esquecido,

Procuro ausência, sem me ter lembrado,

Que o começo de qualquer fim,

Tem princípio sem ter começado.


*


Agradeço o reencontro da saudade,

Por a conhecer desde sempre,

Por sempre me ter chegado tarde,

No amor, na dor, na contradição,

De me estar mentindo com a verdade.


*


Termino a juventude perdida,

Sem nunca a poder ter deixado,

E com isso acabo sem saída,

Sem mudar o rumo, ou a perdição,

Voltando atrás, em mais uma partida.


*

JMC In Contradição

domingo, 16 de dezembro de 2007

Relações/Ralações

Numa relação que se começa com alguém surgem sempre as inevitáveis comparações, as do(a) parceiro(a) e as nossas com as inquestionáveis dúvidas. Todos as têem, uns com mais frequência, outros com mais veemência, outros nem por isso... Eu não fujo à regra, tenho as minhas que surgem, quase raramente as procuro, elas surgem ou por um gesto, um lugar, uma palavra, uma música que ouvimos. E tenho a certeza que do outro lado elas também existem, o que será perfeitamente normal. Entendo que numa nova relação não tenhamos que recomeçar nada, mas sim começar tudo, portanto se tivermos que dizer algo que alguém já disse, ir a algum lado onde já alguém já foi, ouvir uma música que alguém já ouviu, ter um gesto que alguém já teve, não terá de ser um dejá vú, pois todos nós somos diferentes, todos nós iremos falar de outra maneira, beijar de outra maneira, dar a mão de outra maneira, olhar de outra maneira. Ao pensar assim penso estar a começar sempre algo novo e diferente e nunca a recomeçar de onde fiquei ou de como eu estava. Nem sempre o ser humano se consegue libertar destes estigmas, mas que vale a pena tentar vale sim, falo por mim próprio, que ainda ontem acabei por ter uma destas comparações...e não só tentei, como consegui ultrapassar essa comparação e voltar a cair na relação nova que tenho e pretendo ser sempre nova, e não cair numa ralação de um recomeço qualquer.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Horas.


São muitas as que deixamos perdidas,
As que o destino deixa marcadas,
Rodam no mesmo sentido das vidas,
Muitas sem serem badaladas,
Ao mesmo ritmo das desperdiçadas.
Apontamos ou marcamos uma,
Esperamos vendo-as a passar,
Contando-as como vida nenhuma,
Olhando para elas sem reparar,
ue passam por nós sem nos esperar.
Somam o nosso tempo,
Sem segundos ou minutos a mais,
Seguimo-las como julgamento,
Onde juízas sem consentimento,
Nos condenam como os demais.
As de sorte e as de azar,
Aquelas em que não contamos,
Aquelas em que temos de ficar,
As que nos pedem e damos,
E as outras em que nunca estamos.
As que chegamos no atraso,
As malditas que se demoram,
As de puro e mero acaso,
s que correm e devoram
O tempo e que não choram.
Nem sempre nos despertam,
As que perguntamos a alguém,
Aquelas que nos deixam no aperto,
Apertando o bater do coração certo,
Deixando-nos aquelas que nos acertam.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sei de um lugar


Sei de um lugar no mundo
Onde as crianças já não choram,
Onde a fome e as bombas não chegam,
E na vontade dos homens se demoram,
Onde eu sou apenas um pequeno vagabundo.
Onde homens, nem donos nem senhores,
Não esmagam ideias nem calam as revoltas,
Cantadas em doces manhãs pelos trovadores
Do sol que sempre se cumpre nos dias,
Aquecendo as terras molhadas de mil odores.
Esse lugar fica perto daqui,
Na curta distância de um pequeno desejo,
Ao alcance demorado de um beijo,
Num passo que dou consentido,
Na vontade que eu sempre tenho de ti.
Sei que a noite não é o fim do dia,
E as estrelas não ficam inertes, paradas,
Cintilam e iluminam infindáveis escadas,
De degraus brancos de pedra,
Reflectindo em ti tudo aquilo que eu seria.
Não existem sombras nem falsos caminhos,
Apenas silhuetas vagas de múltiplas cores,
Paletas de ouro e prata, nas mãos de pintores,
Que nos pintam os amigos e algumas
Paisagens onde não estaremos sozinhos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Um pouco mais de mim

O que me falta realmente é dar-te mesmo um pouco mais de mim..todos os dias... No pensamento não posso mais, já não tenho espaço para aquilo que sinto por ti, não só por te querer dar, mas também por o mereceres como ser humano. Em todos os sentidos também a mim me faltam as palavras e as formas de descrever toda a magia que me envolve em ti. Não sou poeta de escrever sobre amor, antes pelo contrário, contigo estou a aprender muito sobre o amor, sobre dar e receber, sobre cumplicidade, sobre respeito, sobre confiança, sobre o ser humano mas acima de tudo sobre mim próprio... Não sei se existem maiores ou melhores, não sei se se podem inclusivé comparar, sei isso sim que o meu por alguém que me fez ver o outro lado da vida que eu não queria perceber é puro e incondicional e sem limites. Por isso mesmo eu te digo um pouco mais de mim é algo que te vou querer dar sempre sem limites. Espero que saibas comprender às vezes as pequenas demoras que tenho em chegar perto de ti, mas tu sabes que o que te dou quando chego é tudo o que tenho para te dar, é tudo o que te quero dar...mesmo que seja apenas um pouco de mim...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Mãos


As tuas mãos são pequenas e delicadas,

Enormes quando trazem o carinho do teu coração,

São intensas quando percorrem o meu corpo, que é teu.

As tuas mãos estão carregadas de vida e de paixão,

São frágeis nos dedos finos que eu gosto de tocar.

E são a tua verdade quando me fazes doces carícias,

São pequenos abrigos onde eu gosto de chegar,

Fechadas sobre as minhas, encerram receios,

Abertas aos meus olhos mostram novos caminhos,

Horizontes que julgava não existirem...

Dá-me a tua mão..que eu dou-te a minha vida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Destino

Descobri à uns dias atrás que tenho uma nova etapa da minha vida a percorrer. Essa etapa não tem ainda propriamente uma meta definida, mas tem sem dúvida alguma um propósito durante o seu percurso...ser feliz! Foi como se "ALGUÉM" me colocasse um desafio. Queres arriscar a viver? Queres saber de novo como é bom tentar ser feliz? Eu não estava bem, mas também não estava mal, apenas a atravessar um período da minha vida em que tinha tirado férias de mim... Estava mesmo só a ver passar a vida por mim. Agora que aceitei o desafio, quero inverter os papéis, quero ver-me a passar pela vida, novamente, arriscar, ter algo ou alguém por quem lutar. Cansei-me de estar descansado. Todos nós(pelo menos os que acreditam) temos um ou mais de um destino, ou um destino final. Eu gosto e está a dar-me um prazer enorme desafiar aquele que se me apresenta neste momento. Como alguém diz...nada é por acaso...assim acredito que o meu destino podia estar "escrito" mas não vou ser só o narrador do meu, vou também ser o protagonista principal. Vou escrever a minha história mas a "quatro" mãos. Alguém neste momento está a dar-me o prazer de percorrer essa etapa junto a mim, nem à frente nem atrás, ao meu lado, e quando costumo dizer que por mais que não queiramos,o nosso destino somos sempre nós, neste momento sou mais que um...sou alguém a quem quero dar um outro destino.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Rio

No teu olhar percorri este rio imenso,
Este que nas suas águas frias de Inverno,
Nos deixa a imaginar os verdes prados,
E o Outono que nos envolve tão intenso,
O mesmo que nos aquece num amor tão terno,
Deixando para trás amores desencontrados.

*
Este é o rio da nossa vida, a nossa corrente,
Água límpida, cristalina, sabendo a verdade,
Corre doce, chegando em lágrimas salgadas,
Ao mar que tudo quer, amando docemente,
A nós que do amor não perdemos a vontade,
Nem retornar às nossas vidas separadas.

*

É um rio sem margens para o nosso querer,
Alagando suavemente os nossos sentidos,
Serpenteia por entre o vale do nosso amor,
Desce em quedas de água no nosso viver,
Afoga a saudade em que estivémos perdidos,
E todas as feridas que de que já não temos temor.

*

Nele eu imagino o cheiro da terra molhada,
De que tanto tinhas receio de vir a perder,
Imagino o riso dos teus anjos em ti criança,
Sabendo que eras tu que por mim esperava,
Esperei eu pelo dia que nos viu amanhecer,
Trocando o primeiro beijo da nossa esperança.

*

Abro o teu sorriso, as tuas lágrimas de alegria,
São águas revoltas, que descem até mim,
Rosto de menina com vontade de mulher,
Vejo um rasgo no céu, uma estrela luzidia,
Cadente caíu, devagar, bem longe do fim
Deste amor que eu não vou deixar morrer.

Para ti.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Sonho sereno.

Tenho um sonho
Tão pequeno,
Que de tão pequeno ser
Faço dele segredo,
Escondo-o,
vejo-o a crescer,
No teu olhar sereno,
Calmo sem medo,
Quem dera não acordar,
No fim desta viagem,
Só, Sem ninguém,
Não consigo sonhar.